sábado, 8 de janeiro de 2011

VIDA DE DINAMÉRICO


RETORNO AO PASSADO
1
Estava eu numa fila
Na rotina mergulhado
Quando alguém no celular
Me fez voltar ao passado
Era a voz de Eliel
Que me pedia um cordel
Sobre o primo/irmão amado.
2
Dinamérico, Eliel
Foram senhas e passagens
Guias que me conduziram
Nessas íntimas viagens
De imagens que cresceram
De sons que me envolveram
Como se fossem miragens.
3
Ali, na fila do banco
Fui ao baú do passado
Sacar algo precioso
De valor não calculado
Que se deve entesourar
E não se pode deixar
Num banco depositado
4
Falo dos dias da infância
Da juventude fugaz
Dos dias bons que tivemos
Os quais não teremos mais
Lembrei de amigos brilhantes
Dino, um dos mais importantes
Ao qual não verei jamais.
5
E retornei a Cuité
Voltei à adolescência
Um sentimento sublime
Invadiu-me a consciência
Dias às vezes medonhos
Porém repletos de sonhos
Dignos de reverência.

6
Falou-me de uma crônica
Que seu irmão escreveu
Sobre a minha pessoa
E isso me comoveu
Recordei a amizade
E a grande fraternidade
Que sempre nos envolveu.
7
Eu e Dino, caçadores,
De aves de arribação
Que esvoaçam trinando
Nos céus da inspiração
embevecidos guardamos
nas gaiolas que criamos
aves da imaginação.
8
As tardes ficavam curtas
E as manhãs mais serenas
Sem saber nós imitávamos
Os filósofos de Atenas
E as saudáveis discussões
Geravam reflexões
Poemas e cantilenas.
9
Extraíamos o mel
Que a poesia tem
Assentados na bodega
Flutuávamos além
Respirando novos ares
Lá em Seu José Soares
e em minha casa também.
10
No geral Dino era um homem
De agradável convivência
Fiz amizade com ele
Durante a adolescência
Seus escritos me mostrava
E eu os elogiava
Pela sua inteligência.




DINAMÉRICO SOARES DO NASCIMENTO

Poeta, Contista, escritor, teatrólogo, e compositor, nasceu em 28 de fevereiro de 1958 em Cuité-PB; filho de José Elói do Nascimento e Josefa Judite Soares.

Viveu a infância e a adolescência como qualquer criança, foi criado pelo tio José Soares da Costa e pela tia Filomena Soares da Costa ( Ló Soares ), logo que ficou órfão de mãe aos 11 anos de idade. Ainda freqüentando a escola descobriu sua eterna namorada e companheira “ A POESIA “. Como jovem sempre buscou de forma honrosa, o trabalho como alternativa de sobrevivência em um mundo competitivo e, nem sempre igualitário.

Iniciou seus estudos em Cuité no grupo escolar Vidal de Negreiros. Concluiu o 1º grau no Colégio Estadual de Cuité e o 2º grau ( Técnico em Contabilidade ) no Colégio professor Clóvis Lima onde lecionou. Em 1988 entrou para o curso de Comunicação Social ( Jornalismo ) na UEPB – Universidade Estadual da Paraíba. Foi funcionário da prefeitura Municipal de Cuité em 1977 a 1983. Em 1984 foi trabalhar na Telpa ( Telecomunicações da Paraíba ), foi transferido em 1985 pela empresa para a cidade de Campina Grande. Essa foi sua última atividade profissional.

Possuidor de uma inteligência espetacular, deixou muitas obras versando sobre os mais variados temas. Recebeu vários prêmios literários entre eles: Gincana Cultural, descubra a Paraíba; 1983 ( 3º lugar na categoria poesia ), os dez anos da Telpa na Paraíba ( 1º lugar ) prêmio Manoel Camilo de poesia URNE ( Universidade Regional do Nordeste ) 1987. Troféu Zé da Luz do programa Amazan, vinte e cinco anos do teatro Severino Cabral em Campina Grande ( 1º lugar em concurso de frases. Publicou 08 folhetos de literatura de Cordel, participou do livro “ POEMAS HEMORRAGICOS” do escritor cuiteense Aécio Cândido em 1983. No Rio de Janeiro foi escolhido para participar do livro “ POETAS BRASILEIROS DE HOJE” concurso Raimundo Correia em 1985 Shogun Arte. Para o teatro escreveu “ O ÚLTIMO CHANCELER “ e “ TERRA MORTA”, e, na imprensa paraibana foi autor de diversos poemas. Em 1986 quando trabalhava na antiga telpa em Campina Grande conheceu o cantor Amazan que se tornou um grande e verdadeiro amigo e entre uma poesia e outra Amazan gravou algumas composições de sua autoria, como Carona, Tributo a Gonzagão e o Sonho do Tricolor. Em prosa publicou “ Mocó “ dando com língua no povo, humor cuiteense.

Dinamérico deixou um acervo riquíssimo entre poesia, contos literários dois livros que não vieram a ser publicados. Mais de cem composições musicais, entre outros gêneros. Sua última obra publicada foi o livro “ POETAS CUITEENSES DE TODOS OS TEMPOS”, uma coletânea de 25 autores cuiteenses publicado em 1999. Sua poesia transita de forma pessoal e criativa entre o erudito e o popular apresentando em privilégio temático a tônica social e participativa ( Revista Lê – João Pessoa ).

Além de poeta, Dinamérico possuía uma missão especial, amenizar a dor de famílias conhecidas, que perdiam seus parentes, com uma mensagem confortadora e cheia de esperança.

Seu comportamento introvertido, talvez tenha contribuído para contrair uma profunda depressão, que acompanhou-o até a morte. Suicidou-se na noite de 31 de dezembro de 2004, aos 46 anos de idade, atirando-se as águas do Açude Velho em Campina Grande, seu corpo foi encontrado na manhã do dia 01 de janeiro de 2005. Não era casado e não deixou filhos.

Fica assim o registro desse poeta, que será lembrado por todos aqueles que, conheceram, reconhecendo como um dos maiores poetas cuiteenses. Deixa á posteridade de sua terra, obras primas que servirão para reflexão sobre os mistérios da vida.

A vida e a obra do poeta Dinamérico Soares foi mostrada em um documentário produzido pela Universidade Federal de Campina Grande, Campus Cuité, um média metragem, que conta sua trajetória através de cenas marcantes de sua vida, como também depoimentos daqueles que conviveram com ele.

Atualmente uma das salas do Museu do Homem do Curimataú; órgão este pertencente a Universidade Federal de Campina Grande, Campus Cuité, leva o nome do poeta; denominando-se Espaço Literário Dinamérico Soares. Uma homenagem aquele que foi sem dúvida um dos maiores poetas cuiteenses de todos os tempos. - ELIEL SOARES


Veja o emocionante documentário Dinamérico O Poeta (a sequência 2 e 3 se acham no Youtube):


























Para adquirir o cordel Dinamérico, O Filho da Poesia, entre em contato pelo (84) 99017248 ou gilberto_kardoso@hotmail.com




5 comentários:

  1. Vlw Gilberto, por lembrar nosso eterno amigo!!!

    ResponderExcluir
  2. Abraços, Nenem, e obg por comentar!

    ResponderExcluir
  3. Tenho um POEMAS HEMORRAGICOS autografado por ele..edição de 1983

    ResponderExcluir
  4. (89) 9 9452-2550 zap...Gil, entre em contato

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Estou vendendo o meu POEMAS HEMORRÁGICOS autografado pelo Dinamerico..quem tiver interesse (89) 9 9452-2550 watsApp

      Excluir